Bem Estar Possível

Pausa, respiro e o pé no chão

  • O transe das redes e o resgate da nossa humanidade

    O transe das redes e o resgate da nossa humanidade

    Recentemente, acompanhando o crescimento do perfil de um projeto novo, decidi olhar de perto quem eram as pessoas que estavam chegando. O número de seguidores quase dobrou em uma semana, o que de início traz uma sensação boa de alcance. Porém, quando saímos dos gráficos e olhamos para as fotos e biografias daquelas contas, o choque de realidade é inevitável.

    Encontrei perfis que operam em um contraste assustador. Pessoas com diploma universitário, que escrevem biografias doces e colocam com carinho o nome de seus cachorros no perfil. No entanto, na linha do tempo, essas mesmas pessoas só compartilham conteúdos carregados de raiva, teorias conspiratórias e uma divisão violenta entre “nós e eles”.

    O modo zumbi nas redes sociais

    Parece um estado de transe coletivo. É como se estivessem operando em um modo psicológico de zumbis digitais, onde a capacidade cognitiva deu lugar a um estado de alerta permanente. Para essas pessoas, o mundo virou um tabuleiro de guerra entre o bem e o mal. Elas se enxergam como os escolhidos para derrotar os inimigos que enxergam em cada esquina.

    Infelizmente, nessa dinâmica tribal, perde-se o básico: a capacidade de raciocinar por conta própria, de questionar, de duvidar e, principalmente, de sentir o outro de verdade. Cria-se uma casca tão rígida que a chance de uma mudança real ali é quase nula. O ódio virou um vício diário alimentado por algoritmos que lucram com o nosso pior lado.

    No começo, a gente sente o impulso de querer fazer a diferença, de tentar iluminar esse espaço de alguma forma. Mas o realismo nos mostra que o nosso papel não é o de resgatar quem escolheu o barulho da guerra.

    Onde mora a verdadeira espiritualidade

    A verdadeira espiritualidade, a fé e o bem-estar real não se sustentam em discursos de exclusão ou em poses comerciais de margarina. Eles se manifestam no silêncio do cotidiano, no respeito a quem pensa diferente, no zelo com o trabalho e no cuidado genuíno com o bicho que dorme ao nosso lado.

    Não vamos mudar quem já entregou a sua capacidade de pensar para o transe das redes. O que nos cabe é manter os nossos espaços acesos e coerentes. O blog, a marca, as nossas conversas na cozinha — tudo isso precisa continuar sendo um refúgio de lucidez para quem cansar do caos e decidir voltar a sentir a vida de verdade.

    Uma nota sobre a imagem deste post: Talvez você se pergunte o que uma tecelã e seu tear têm a ver com o transe das redes sociais. A resposta está no contraste. Teceres exige presença, paciência, foco e tempo — tudo o que o algoritmo tenta nos roubar. Enquanto o mundo digital nos quer rápidos, superficiais e reativos, o trabalho manual nos lembra do valor de ordenar os fios, desacelerar e cuidar de cada detalhe com zelo. Que a gente possa, todos os dias, escolher tecer a nossa própria lucidez.

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Pausa, respiro e o pé no chão

Tag: Lucidez

  • O transe das redes e o resgate da nossa humanidade

    O transe das redes e o resgate da nossa humanidade

    Recentemente, acompanhando o crescimento do perfil de um projeto novo, decidi olhar de perto quem eram as pessoas que estavam chegando. O número de seguidores quase dobrou em uma semana, o que de início traz uma sensação boa de alcance. Porém, quando saímos dos gráficos e olhamos para as fotos e biografias daquelas contas, o choque de realidade é inevitável.

    Encontrei perfis que operam em um contraste assustador. Pessoas com diploma universitário, que escrevem biografias doces e colocam com carinho o nome de seus cachorros no perfil. No entanto, na linha do tempo, essas mesmas pessoas só compartilham conteúdos carregados de raiva, teorias conspiratórias e uma divisão violenta entre “nós e eles”.

    O modo zumbi nas redes sociais

    Parece um estado de transe coletivo. É como se estivessem operando em um modo psicológico de zumbis digitais, onde a capacidade cognitiva deu lugar a um estado de alerta permanente. Para essas pessoas, o mundo virou um tabuleiro de guerra entre o bem e o mal. Elas se enxergam como os escolhidos para derrotar os inimigos que enxergam em cada esquina.

    Infelizmente, nessa dinâmica tribal, perde-se o básico: a capacidade de raciocinar por conta própria, de questionar, de duvidar e, principalmente, de sentir o outro de verdade. Cria-se uma casca tão rígida que a chance de uma mudança real ali é quase nula. O ódio virou um vício diário alimentado por algoritmos que lucram com o nosso pior lado.

    No começo, a gente sente o impulso de querer fazer a diferença, de tentar iluminar esse espaço de alguma forma. Mas o realismo nos mostra que o nosso papel não é o de resgatar quem escolheu o barulho da guerra.

    Onde mora a verdadeira espiritualidade

    A verdadeira espiritualidade, a fé e o bem-estar real não se sustentam em discursos de exclusão ou em poses comerciais de margarina. Eles se manifestam no silêncio do cotidiano, no respeito a quem pensa diferente, no zelo com o trabalho e no cuidado genuíno com o bicho que dorme ao nosso lado.

    Não vamos mudar quem já entregou a sua capacidade de pensar para o transe das redes. O que nos cabe é manter os nossos espaços acesos e coerentes. O blog, a marca, as nossas conversas na cozinha — tudo isso precisa continuar sendo um refúgio de lucidez para quem cansar do caos e decidir voltar a sentir a vida de verdade.

    Uma nota sobre a imagem deste post: Talvez você se pergunte o que uma tecelã e seu tear têm a ver com o transe das redes sociais. A resposta está no contraste. Teceres exige presença, paciência, foco e tempo — tudo o que o algoritmo tenta nos roubar. Enquanto o mundo digital nos quer rápidos, superficiais e reativos, o trabalho manual nos lembra do valor de ordenar os fios, desacelerar e cuidar de cada detalhe com zelo. Que a gente possa, todos os dias, escolher tecer a nossa própria lucidez.