Dias atrás, me peguei pensando em uma história da época em que eu trabalhava em escritórios corporativos. Uma equipe veio retirar a persiana da janela logo atrás da minha mesa para lavar. Ao manusear a peça, um dos rapazes comentou, surpreso, que aquela era a única persiana de toda a empresa que ainda estava conservada como nova.
Aquele comentário simples ficou na minha memória. Sempre tive o hábito de cuidar com carinho de tudo o que manuseio, sejam objetos meus ou dos outros. E se a gente trata com zelo e respeito aquilo que é inanimado, que dirá as pessoas?
Cenário assustador
Hoje, acompanhando o atendimento digital da minha marca de cosméticos, tenho me deparado com um cenário que assusta. Não estou falando de erros de português ou do nível de alfabetização das pessoas — isso é compreensível. Falo de uma falta de civilidade básica, quase uma preguiça de existir.
Contato por aplicativo de mensagem
A pessoa printa a foto de um anúncio, joga na tela do WhatsApp com um ponto de interrogação e espera uma resposta. Quando você tenta dialogar e faz uma pergunta simples, oferecendo duas opções de escolha, a resposta do outro lado é um seco “sim”. Fica claro que a pessoa não leu, não interpretou duas linhas e, logo em seguida, desaparece sem ao menos um obrigado.
Gente por trás da tela
Costumam dizer que a internet desumanizou as relações e que as pessoas tratam os atendentes virtuais “como se fossem robôs”. Mas, honestamente? Eu não acho certo tratar um robô com esse nível de grosseria e desdém. E não é por medo de que ele se vingue um dia.
Penso muito no trabalhador que está do outro lado daquela tela de suporte. O atendente que se esforça para ser gentil porque precisa do emprego, que às vezes depende de comissões para fechar o mês. Penso na pequena empreendedora que escolheu cada palavra da mensagem de saudação, que embalou o produto com papel de seda e perfume, para receber em troca um monossílabo jogado de qualquer jeito. É a mesma falta de atenção que vemos quando alguém nos dá um presente sem olhar para quem somos, focando apenas no próprio umbigo — como conversamos no post sobre o dilema dos [presentes recebidos].
Todos nós temos dias ruins e nos exaltamos de vez em quando, é natural. Mas o mínimo de empatia, educação e respeito deveria ser o ponto de partida de qualquer interação. Um “bom dia” sincero, um olhar atento ou uma palavra gentil têm o poder de mudar o dia de alguém na fila do banco. Quando estamos conversando por trás de uma tela, essa regra não muda. Aliás, é aí que ela se torna ainda mais urgente.



Deixe um comentário